Opinião: Feira precisa transformar debate sobre lixo em ação
Por Marcílio Costa • 31 Aug 2026, 12:46
Começamos uma nova semana e eu quero conversar hoje sobre um problema antigo de Feira de Santana, que todo mundo conhece, reclama, mas que continua fazendo parte da paisagem da cidade: o descarte irregular de lixo e de entulho.
Na semana passada, a Câmara Municipal realizou uma audiência pública, proposta pelo vereador Pastor Valdemir, para discutir exatamente esse assunto.
Participaram representantes da Prefeitura, da Sustentare, associações de catadores e recicladores, além de outros setores envolvidos com a questão.
Foi um debate importante. Foram apresentadas propostas de conscientização, implantação de ecopontos, instalação de caixas estacionárias em áreas críticas, maior fiscalização e punição para quem insiste em jogar resíduos onde não deve.
O secretário de Serviços Públicos, Justiniano França, também apresentou as ações que a Prefeitura vem realizando, incluindo mutirões de limpeza e notificações de proprietários de terrenos.
Tudo isso é válido.
Mas, na minha avaliação, a audiência só terá produzido um resultado realmente importante se agora sair da discussão para um plano de ação.
Porque o diagnóstico já está feito.
A Prefeitura sabe onde estão muitos dos pontos de descarte irregular. A Sustentare também faz esse mapeamento. A população conhece esses lugares. E todos sabemos que, muitas vezes, a limpeza é realizada e, pouco tempo depois, o lixo aparece novamente.
Então, precisamos avançar.
Se a proposta é criar ecopontos, é preciso dizer quantos serão, onde serão instalados e quando o primeiro começará a funcionar.
Se existem notificações, precisamos saber o que acontece depois delas. Quantas resultaram em providências? Quantas multas foram efetivamente aplicadas?
E há outra questão que considero fundamental.
É correto cobrar responsabilidade do cidadão. Quem joga sofá, colchão, restos de construção ou qualquer outro material em terreno baldio ou na rua precisa responder por isso.
Mas o poder público também precisa oferecer alternativas.
Não basta dizer ao cidadão onde ele não pode jogar. É necessário informar claramente onde ele pode entregar entulho, móveis velhos, eletroeletrônicos e outros materiais que não são recolhidos normalmente pelo serviço de coleta.
Também é preciso fiscalizar empresas geradoras de resíduos, transportadores e quem trabalha com retirada de entulho. A responsabilidade não pode terminar no momento em que alguém paga para levar o material embora.
Conscientização é indispensável. Educação ambiental também. Mas chega um momento em que fiscalização e punição precisam funcionar.
Feira não pode continuar gastando dinheiro público para limpar repetidamente os mesmos locais enquanto alguns continuam utilizando ruas e terrenos como depósito de lixo.
A audiência pública cumpriu uma primeira etapa: colocou o assunto em discussão e reuniu quem conhece o problema.
Agora vem a etapa mais importante.
Transformar propostas em compromissos, estabelecer prazos, definir responsabilidades e apresentar resultados.
Porque cidade limpa depende, sim, de cidadania. Mas depende também de serviço público eficiente, alternativa para descarte e fiscalização capaz de fazer a lei ser respeitada.
Se todos já sabem onde está o problema, o próximo passo não pode ser outra discussão sobre o que fazer. Precisa fazer.
Eu sou Marcílio Costa e esta é minha opinião.
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