Justiça leva acusados de matar três jovens em Anguera ao Tribunal do Júri
Por Marcílio Costa • 23 Oct 2026, 10:38
A Justiça de Feira de Santana decidiu levar ao Tribunal do Júri acusados de envolvimento no assassinato de três jovens ocorrido em outubro de 2025, na zona rural de Anguera. A decisão de pronúncia, assinada pela juíza Márcia Simões Costa, foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) desta sexta-feira (23). Ainda não há data confirmada para o julgamento.
As vítimas foram Letícia Araújo Lobo, Carol Ferreira Rodrigues e Rafaela Carvalho Santos, esta última adolescente. O crime, ocorrido na região do povoado do Roçado, teve grande repercussão pela violência empregada contra as jovens.
Segundo a denúncia do Ministério Público, os assassinatos teriam sido motivados por disputas entre grupos ligados ao tráfico de drogas, suspeitas de colaboração das vítimas com a polícia e conflitos pessoais envolvendo integrantes de uma organização criminosa.
Tortura e assassinatos
A acusação aponta que, no dia 7 de outubro de 2025, as três jovens foram submetidas a agressões físicas e psicológicas nas proximidades de uma residência na Fazenda do Roçado, em Anguera.
Durante as agressões, tiveram os cabelos cortados à força e foram atingidas com cordas e galhos de uma planta conhecida como cansanção.
Posteriormente, as vítimas teriam sido obrigadas a caminhar aproximadamente três quilômetros por uma área de pastagem e vegetação até o leito de um rio intermitente, onde foram assassinadas com golpes de picareta na cabeça.
Após os crimes, os corpos foram enterrados clandestinamente em covas abertas no leito seco do rio. Conforme a denúncia, os responsáveis utilizaram terra, cal virgem, vegetação e fogo na tentativa de ocultar os cadáveres e dificultar o trabalho da perícia.
Rivalidade entre grupos criminosos
A investigação apontou que os crimes estariam relacionados a conflitos entre dois grupos ligados à facção BDM, que atuavam em áreas diferentes de Anguera.
Depoimentos policiais reproduzidos na decisão judicial indicam que as vítimas mantinham relacionamentos afetivos com pessoas ligadas a integrantes desses grupos.
Ainda segundo a investigação, Letícia e Carol haviam prestado informações à polícia sobre atividades do tráfico de drogas na região. A suspeita de que as jovens estariam colaborando com as autoridades teria provocado ameaças e contribuído para a decisão de assassiná-las.
Um dos investigadores ouvidos durante o processo afirmou que as vítimas não integravam o tráfico de drogas.
Acusados e decisão judicial
A denúncia apresentada pelo Ministério Público em janeiro de 2026 apontou Gustavo da Silva Almeida, conhecido como Jegue, como suposto responsável por comandar a ação criminosa.
Também foram denunciados Saionara Borges de Jesus, Alexandre da Silva Santos, Lázaro de Jesus Brito, Lucas Gonçalves Borges e Márcio Paulo Araújo Santos, com imputações específicas conforme a participação atribuída a cada um.
A Justiça pronunciou Gustavo, Saionara e Alexandre para julgamento pelo Tribunal do Júri, por acusações que incluem homicídios qualificados, tortura, ocultação de cadáveres e organização criminosa armada.
A decisão também encaminhou crimes conexos atribuídos a Márcio Paulo ao julgamento pelo Júri. Em relação a Lázaro e Lucas, o processo foi desmembrado e permanece suspenso.
O Ministério Público atribuiu a Márcio Paulo acusações relacionadas à receptação de um aparelho celular de uma das vítimas e à destruição de objetos que poderiam contribuir para a investigação.
A decisão de pronúncia não representa condenação. Significa que a Justiça considerou haver elementos suficientes para submeter as acusações ao julgamento popular, preservado o direito de defesa dos envolvidos.
Até a publicação do Diário da Justiça de 23 de outubro, não havia data de julgamento confirmada na decisão examinada.