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Arroba do boi chega a R$ 380 em Feira e pode atingir R$ 400 até dezembro

Author Por Marcílio Costa • 13 Oct 2026, 14:58
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O preço da arroba do boi gordo chegou a R$ 380 nesta terça-feira (13), em Feira de Santana, atingindo o maior valor registrado em 2026 no acompanhamento semanal da Cooperativa de Pecuaristas de Feira de Santana (Cooperfeira). A cotação representa aumento de R$ 10 em relação à semana anterior e acumula valorização de 11,76% desde o início de setembro, quando a arroba era negociada a R$ 340.

A trajetória de alta ganhou força nas últimas semanas. Depois de permanecer estável em R$ 340 no início de setembro, a arroba avançou para R$ 350 na segunda quinzena do mês, chegou a R$ 360 no dia 29 e alcançou R$ 370 na primeira semana de outubro. Com a nova valorização, o mercado acumula quatro reajustes consecutivos de R$ 10.

Para Agenor Campos, presidente do Frigorífico Frifeira e diretor da Cooperfeira, a evolução confirma as expectativas de recuperação do mercado pecuário regional, que passou a apresentar preços mais próximos dos praticados em outros estados produtores.

No Pará, a arroba está sendo negociada em torno de R$ 375 à vista, valor semelhante ao observado em Goiás. Essa aproximação representa uma mudança importante para a Bahia, que tradicionalmente apresenta cotações inferiores às de outros mercados pecuários do país.

Agenor ressalta, entretanto, que ainda existem diferenças dentro do próprio estado, especialmente nas regiões mais distantes dos principais centros consumidores, onde os custos de transporte interferem na formação dos preços.

Frifeira amplia abates e carne encontra compradores rapidamente

O aquecimento do mercado também aparece nos números do Frigorífico Frifeira, localizado no distrito de Humildes, em Feira de Santana.

A unidade vem registrando entre 500 e 530 bovinos abatidos diariamente, volume superior à média recente de aproximadamente 450 animais. O crescimento acompanha a demanda aquecida pela carne bovina e o aumento da movimentação comercial.

Outro indicador considerado importante pela direção do frigorífico é a velocidade de saída da produção. A carne tem sido retirada pelos compradores logo após o cumprimento do período obrigatório de refrigeração, sem formação significativa de estoques.

Nesta terça-feira, seis das nove câmaras frigoríficas do Frifeira amanheceram vazias, depois da retirada da carne produzida anteriormente.

Para Agenor Campos, esse comportamento demonstra que, mesmo com a valorização da arroba, o mercado continua absorvendo a produção, sustentando o ritmo de abates da unidade.

Arroba pode alcançar R$ 400 até o final do ano

A Cooperfeira avalia que ainda existe espaço para novas valorizações nas próximas semanas. A perspectiva considera a menor disponibilidade de animais terminados, característica do período de entressafra, associada à manutenção da demanda por carne bovina.

Agenor Campos considera possível que a arroba alcance R$ 400 até dezembro, embora ressalte que a evolução dependerá do comportamento do mercado.

Para atingir esse patamar, seria necessário um aumento adicional de R$ 20, equivalente a 5,26% sobre a cotação atual.

A avaliação é de que a tendência permanece favorável aos produtores, mas isso não significa que os reajustes continuarão ocorrendo semanalmente ou na mesma intensidade registrada desde setembro.

Consumidor pode sentir reflexos nos açougues

A valorização do boi gordo também poderá provocar novos reajustes no preço da carne comercializada ao consumidor.

Segundo Agenor, a elevação da arroba de R$ 340 para R$ 380 ainda não foi integralmente repassada ao varejo. Por isso, existe a possibilidade de que parte desse aumento apareça nos preços praticados pelos açougues nas próximas semanas.

O dirigente observa que, em períodos anteriores de queda na cotação do boi, as reduções nem sempre chegaram ao consumidor na mesma proporção. Agora, com o movimento contrário, o comportamento do comércio varejista será um dos indicadores a serem acompanhados.

A evolução dos preços dependerá também da capacidade de consumo da população e das condições de comercialização da carne.

Com a arroba em R$ 380, o aumento dos abates no Frifeira e a rápida saída da produção, o mercado pecuário de Feira de Santana mantém sinais de aquecimento.

O principal ponto de atenção para as próximas semanas será verificar até que nível a demanda conseguirá sustentar novas valorizações, especialmente diante da possibilidade de aumento dos preços ao consumidor.

Referência de mercado

As cotações divulgadas semanalmente pela Cooperfeira são apuradas com base nas informações fornecidas por compradores que realizam abates no Frifeira. Os valores servem como referência para o mercado regional e podem apresentar oscilações conforme as condições diárias de comercialização.

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