Arroba chega a R$ 395 em Feira, mas consumo preocupa mercado
Por Marcílio Costa • 27 Oct 2026, 16:34
O preço da arroba do boi gordo voltou a subir em Feira de Santana e alcançou R$ 395 nesta terça-feira (27), segundo levantamento semanal da Cooperfeira. O reajuste de R$ 5 em relação à semana anterior estabelece um novo recorde em 2026 e aproxima a cotação dos R$ 400, patamar que já vinha sendo apontado como possibilidade pelo mercado regional.
Desde o início de setembro, quando a arroba era negociada a R$ 340, a valorização acumulada chega a R$ 55, equivalente a 16,18%. O movimento ganhou força no final daquele mês e se manteve ao longo de outubro, confirmando as expectativas de recuperação apresentadas pela Cooperfeira nas últimas semanas.
Para Agenor Campos, presidente do Frifeira e diretor da Cooperfeira, o novo reajuste não representa surpresa. A redução da disponibilidade de animais terminados continua contribuindo para a firmeza das cotações, e ainda existe possibilidade de a arroba alcançar R$ 400 até o encerramento de outubro.
Entretanto, a avaliação desta semana traz um elemento de cautela. Embora a oferta de boi gordo permaneça limitada, Agenor considera que o mercado poderá encontrar dificuldades para sustentar o ritmo de valorização observado recentemente.
*Consumo interno passa a preocupar*
A principal preocupação está relacionada ao comportamento do consumo de carne bovina no mercado interno. Agenor avalia que a demanda poderá apresentar enfraquecimento nas próximas semanas, criando um limite para novos reajustes.
A situação é diferente da observada no início de outubro, quando o Frigorífico Frifeira registrava movimentação próxima de 500 animais abatidos por dia e rápida comercialização da carne produzida. Na semana passada, a unidade já havia registrado redução dos abates em razão da menor disponibilidade de gado.
Mesmo com a procura por animais terminados, a continuidade das altas dependerá da capacidade de comercialização da carne. Uma eventual retração do consumo poderá reduzir o espaço para novos aumentos, ainda que a oferta de boi gordo continue restrita.
*Mercado chinês também influencia expectativas*
Outro fator acompanhado pelo setor é o comportamento das compras chinesas de carne bovina brasileira.
Segundo Agenor, já existe movimentação de compradores buscando animais para atender à expectativa de negócios destinados à China. Esse interesse pode contribuir para sustentar a procura por boi gordo, especialmente num período de menor disponibilidade de animais para abate.
Entretanto, a efetiva influência desse movimento sobre os preços dependerá da concretização das compras e do volume destinado ao mercado externo.
A avaliação da Cooperfeira é de que não há perspectiva de excesso significativo de boi gordo no mercado regional. O principal fator de incerteza está na demanda pela carne, sobretudo no consumo interno.
Com a arroba próxima dos R$ 400, o mercado chega ao final de outubro em um cenário de preços firmes, mas com maior necessidade de atenção ao comportamento dos consumidores. A expectativa de nova valorização permanece, embora o ritmo dos reajustes possa diminuir diante das condições de comercialização da carne.
Os valores divulgados pela Cooperfeira são baseados em informações repassadas por compradores que realizam abate no Frifeira e servem como referência para o mercado regional, podendo oscilar conforme a movimentação diária.